
Sábado, acordei, fui ao dentista e na FUNED. Voltando deparo-me com uma situação inusitada no ponto de ônibus na Av. Amazonas. Inusitada no sentido de usual, mas não usual para mim (entende?). Vamos ao fato: Um menino de aproximadamente 7 anos de idade, no ponto de ônibus, cheirando em uma lata de cola. (Tudo bem, eu estava com TPM, daquelas que lhe fazem chorar até em inauguração de supermercado.). Um indivíduo, também no ponto de ônibus, aproxima-se da criança e propõe uma troca: a lata de cola por comida. A criança no auge do efeito que aquilo lhe proporcionava, senta-se cada vez mais próximo do homem e deita a sua cabeça em seu ombro. Ah, para! Isso é surreal e eu não tenho estrutura para isso. Não precisa de comida, isso alimenta o corpo. Ele precisa de carinho, de ser notado. Isso alimenta a alma, o coração. Ele precisa de respeito, de família. E eu no meio daquela falta de estrutura, percebo que eu não tenho essa tal estrutura (leia-se equilíbrio). Eu não sei conviver com as mazelas desse mundo. E para todo mundo que eu contei isso naquele sábado eu chorei, porque eu sou fraca, porque eu sou romântica e o meu mundo é cor de rosa. Porque principalmente eu aprendi bem cedo o que é amar quem não pede nada em troca. Porque me amaram sem cobranças, sem laços biológicos.
Eu queria trazer aquele menino para a minha casa. Ah, mas eu sou fraca para isso e tenho medo das consequências...
É muito difícil aceitar e conformar com a falta de perspectivas de uns poucos (que somam-se muitos)!

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