sexta-feira, 26 de março de 2010

Sobre o caso Isabella Nardoni...

Ultimamente eu decidi assumir a minha obsessão por casos policiais de grande repercussão nacional. Eu acompanho tudo, em todas as fontes que consigo, comento com a maioria das pessoas e fico indignada mesmo, tiro as minhas conclusões e julgo como uma juíza no caso.
Sobre o julgamento da semana, do Caso Isabella Nardoni, hoje será o veredicto. Ontem conversando com meu amigo advogado Fernando, eu o questionei sobre tudo que aconteceu essa semana no julgamento. Ele disse não saber da culpabilidade ou inocência do casal, mas que acredita que eles serão julgados culpados pela ida à júri popular, no qual as pessoas não conseguem abster-se de seu sentimentalismo.
Eu vejo uma 'faca de dois gumes' e sei que uma das pontas foi a 'culpada' (de alguma forma) pela morte da menina. Em particular esse julgamento me abriu a discussão do porquê esse caso causou tanta comoção social. Dessa forma eu reflito se caso a 'Isabella' fosse uma criança que tivesse uma condição econômica e social desfavorável (Lê-se; fosse pobre) o promotor construiria uma maquete do 'barraco' onde o pai e a madrasta dela moravam com um córrego poluído no quintal?
(Ainda sobre a maquete: Essa tal custou pelo menos R$20.000,00, olha que contraditório. O sensacionalismo virou novela surreal do Manoel Carlos.)
Mas o contexto social, para mim, tornou-se desprezível e a esperança (como sendo a última que morre!) é que a justiça, independente do caso, seja feita, para que 'Isabellas', 'Joãos Hélio' e outros tantos não sejam retirados do convívio com seus pais.
Fica a indignação....

terça-feira, 16 de março de 2010

São coisas que eu sei...eu adivinho sem ninguém ter me contado...



No meio das mil e uma coisas que eu faço e penso no dia eu ainda consigo ter as mesmas questões femininas daquelas do meu gênero. Gente! Para o mundo que eu quero descer! Como um cromossomo faz a diferença e o tal Y que me perdoe, mas com ele vem a serenidade, a frieza, a noção de distância, de direção, a praticidade, a maior tolerância ao álcool, a dificuldade de discutir relação, a intolerância, a menor resistência a dor, a dificuldade de perceber a linguagem do corpo, a capacidade de abstração e esquecimento, o filtro para coisas essenciais (futebol, futebol, futebol, sexo, mulheres, dinheiro...não necessariamente nessa ordem). Eu, como toda mulher, sei da roupa que estava usando no primeiro encontro e a que ele estava usando, onde fomos, o que conversamos. Eu sei também exatamente, as situações que me chateiam, estressam e me fazem felizes mesmo após 10 anos do acontecido. Ah..mas os tals que carregam o Y, não lembram nem o que almoçaram hoje (salvo algumas exceções!). Além disso tudo, em um dia, eu levanto achando tudo lindo, almoço chorando e volto para casa querendo matar o motorista do ônibus. Como pode? Eu aprendi na faculdade e na pós graduação que é hormonal. É surreal, isso sim.
Lamento para os 'Ys', que precisam conviver com os 'XX's.

Mazela no mundo...




Sábado, acordei, fui ao dentista e na FUNED. Voltando deparo-me com uma situação inusitada no ponto de ônibus na Av. Amazonas. Inusitada no sentido de usual, mas não usual para mim (entende?). Vamos ao fato: Um menino de aproximadamente 7 anos de idade, no ponto de ônibus, cheirando em uma lata de cola. (Tudo bem, eu estava com TPM, daquelas que lhe fazem chorar até em inauguração de supermercado.). Um indivíduo, também no ponto de ônibus, aproxima-se da criança e propõe uma troca: a lata de cola por comida. A criança no auge do efeito que aquilo lhe proporcionava, senta-se cada vez mais próximo do homem e deita a sua cabeça em seu ombro. Ah, para! Isso é surreal e eu não tenho estrutura para isso. Não precisa de comida, isso alimenta o corpo. Ele precisa de carinho, de ser notado. Isso alimenta a alma, o coração. Ele precisa de respeito, de família. E eu no meio daquela falta de estrutura, percebo que eu não tenho essa tal estrutura (leia-se equilíbrio). Eu não sei conviver com as mazelas desse mundo. E para todo mundo que eu contei isso naquele sábado eu chorei, porque eu sou fraca, porque eu sou romântica e o meu mundo é cor de rosa. Porque principalmente eu aprendi bem cedo o que é amar quem não pede nada em troca. Porque me amaram sem cobranças, sem laços biológicos.
Eu queria trazer aquele menino para a minha casa. Ah, mas eu sou fraca para isso e tenho medo das consequências...
É muito difícil aceitar e conformar com a falta de perspectivas de uns poucos (que somam-se muitos)!